Máscara e Distanciamento Social

Covid-19: máscara e distanciamento são indispensáveis para prática esportiva  

Por Nemi Sabeh Júnior

Atividades individuais, ao ar livre ou em academia, são melhores do que aquelas em grupo, contraindicadas para o momento. De qualquer forma, existem orientações que devem ser seguidas para evitar o contágio e a disseminação do Sars-CoV-2

Praticar atividade física regularmente faz bem ao corpo, significa o menor desenvolvimento de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, demência e alguns tipos de câncer, segundo estudo realizado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e publicado no The Lancet Global Health. Contribui ainda para a saúde mental, minimizando o stress, melhora a autoestima e a concentração, e equilibra a imunidade, este último um fator importante para a prevenção de doenças infecciosas. 

Durante o período de isolamento, muitos tiveram que se adaptar e passaram a se exercitar em casa, enquanto outros se tornaram sedentários. No Brasil, na pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Ministério do Esporte (2015), 24% das pessoas (38,8 milhões) com 15 anos ou mais de idade praticavam esporte enquanto a atividade física ficou com 17,4% (28,1 milhões). A caminhada foi a atividade preferida por 49,1% dessas pessoas que se exercitaram, seguida pela academia (16,8%), e musculação (6,1%). Apareceram ainda: andar de bicicleta (6,1%), corrida (4,2%) e futebol (5,2%).

No momento, existem dois cenários para praticar esportes/atividades individuais, mas é preciso cautela e precauções para evitar o contágio pelo Sars-CoV-2. Ao ar livre, sozinho, saindo de casa com máscara e abaixá-la quando for correr, mas manter distância de, pelo menos, 10 metros de outra pessoa. Um estudo publicado em conjunto pela Universidade Tecnológica de Eindhoven (Holanda) e Universidade Católica de Leuven (Bélgica) explica que é possível contrair coronavírus ao ar livre e com um distanciamento menor: pelo aerossol, quando as minúsculas partículas contaminadas são eliminadas pela tosse, espirro e fala. 

A academia é outro cenário favorável. Mas deve ser com dia/horário agendado, usando máscara, com distanciamento de dois metros entre as pessoas e aparelhos totalmente esterilizados com álcool 70% ao término de cada atividade. Além disso, professor e personal também devem usar a máscara. Vale lembrar que a OMS não recomenda a prática de exercícios, ao ar livre ou em academia, em caso de febre, tosse e dificuldade em respirar.

Em ambos cenários há uma questão importante: a máscara, que deve ser usada em exercícios de baixa intensidade/carga, inclusive para quem precisa da fisioterapia em ambiente fechado, mas sem aglomeração. O problema fica para os atletas de elite que realizam atividades com altas cargas/intensidade, já que o estudo publicado em julho pela revista Clinical Research in Cardiology, apontou que algumas funções do organismo são prejudicadas pelo uso de máscaras cirúrgicas e as do tipo FFP2 / N95. 

A medição ocorreu por meio de um exame chamado espirometria (que avalia a função pulmonar) e os resultados mostraram que a ventilação pulmonar e as condições de oxigenação diminuem, enquanto a frequência cardíaca aumenta. Para esse grupo, a pratica com máscara pode ser extremamente perigosa, sendo inclusive um facilitador para a morte súbita. 

Sobre os esportes em grupo, faço parte do time de especialistas que elaborou o Guia Médico de sugestões protetivas para retorno das atividades do futebol brasileiro, em parceria com a Comissão Nacional de Médicos da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).  O documento com mais de 20 páginas foi feito com a participação de mais de 100 profissionais de clubes e infectologistas. Nele, por exemplo, colocamos alguns processos bem rigorosos, como os testes semanais para detectar o coronavírus, dessa forma, conseguimos separar quem já pegou ou quem está infectado, e evitar que espalhe para o grupo de atletas. Outras orientações: o jogador deve ir pronto para o treino; a alimentação é servida em pratos prontos ao invés do serviço de buffet; e a aferição de temperatura e preenchimento de questionário assim que o atleta chega na concentração. Nesse momento, apenas os times profissionais, que se enquadrarem nessas exigências, podem treinar e jogar. Os amadores ou entusiastas de esportes em grupo terão que esperar um pouco mais, até vacinação.  

Nemi Sabeh Jr., @nemisabeh, expert em medicina esportiva, ortopedia e médico da Seleção Brasileira de Futebol Feminino há mais de 10 anos. Atua no núcleo de especialidades do Hospital Sírio Libanês (SP) e é idealizador da ON, centro integrado de saúde e de evolução corporal com unidades no bairro do Morumbi (SP) e na cidade de Assis (SP) 

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